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· リスボン(ポルトガル) · ポルトガル語

Diário de Lisboa

一面は暮らしの維持と公共の責任を結び付けた。中央の論説は不十分な信用、高利貸し、輸送費に挟まれた農家を描いた。別の文章はファイアル島の復興に資金と揺れに強い再建が必要だと訴え、道路の短報では税を払う住民が国に接続工事か補修補助を求めていた。

農業信用、ファイアル島の再建に関するまとまった段落と、道路陳情の短報全文を掲載。農業論説のほかの部分、文化・人物短報は選択範囲外。

翻訳

われらの日々のパン――農業信用

今年の農業は不作だ。誰もが知っている。昨年の収穫と比べて、オリーブ油、パン、ワイン、豆、ジャガイモの不足は大きくなった。政府のせいではない。生産を左右する避けようのない気象条件を、政府が操っているわけではないからだ。
政府の使命は別にある。吸血鬼どもと闘い、市場へ時機を逃さず食料を供給して、生活費の高騰を和らげることだ。
〔…〕
農業信用は今のところ、頼りなく、時間がかかり、複雑である。政府はアレンテージョといえば、ここリスボンで演説し、まるで選挙に大災厄を起こせるかのように自分を大物扱いする、一握りの大農場主しかいないと思い込んでいる。
アレンテージョの大半を占めるのは、もっとつつましく、口数の少ない人々だ。収穫の代金で種をまき、収穫の作業にはしばしば高利貸しの金を使う。その高利貸しが、われわれの不幸な地方の経済を食い荒らしている。なんという鉤爪だ!
小麦の公定価格は、農家が鉄道から何キロも離れていようと、そのすぐそばにいようと同じである。輸送費も農村を破滅へ追いやっている。
種をまく面積は、年々減っている。

ファイアルの大災害――復興と救援

ファイアルの大災害が、古い、ほとんど忘れられた出来事の仲間入りをしつつある。
最初の知らせが呼び起こした感情は薄れている。これほど多くの人が家を失い、これほど多くの家が安全を失った、その悲惨さを思い出す人が少ないからだ。
〔…〕
同情の言葉には大きな価値がある。しかし、連帯と援助の行動には、はるかに大きな価値がある。オルタの町も壊れた村々も、永久に喪に服しているわけにはいかない。新たな揺れに耐えられるよう、再建しなければならない。
そのためには工事の計画と、それを賄う資金が要る。
世界中のポルトガル人――本土と島々、国旗の下にある植民地にも、そうでない海外の共同体にも――これほど尊く愛国的な事業に貢献する義務から逃れることはできない。またオルタには、感情的な対立を超え、決断できない人々や行政の惰性に捕らわれた多くの人々を動かす、確固とした意志が必要だ。
募金の一団や寄付の募集、自発的な義援金が不足しているわけでは、確かにない。
だが、なぜ大きな闘牛大会やスポーツ祭を開かないのか。ファイアルの被災者を援助する証紙を、3日間だけ義務付けるのは、そんなに過大な要求だろうか。

ミランダ・ド・ドウロとモガドウロを結ぶ道

先ごろ本紙は、ミランダ・ド・ドウロとモガドウロを結ぶ古いローマ道を補修するため、トラス・オス・モンテスの人々の間で募金が始まったことに触れた。公の当局が、あの町と国のほかの地域を結ぶ交通を放置しているからである。
聞くところによると、ミランダの住民は商業大臣に陳情し、第9号道路への接続を命じるか、ローマ道の補修を完成させる補助金を交付するよう求めた。
これほど正当な要求はない。税金はきちんと納めながら、国からはわずかな恩恵も受けていない地域なのだから。

解説

不作が借金の循環を苦しくする

農家は次の作物を売る前に、種まきにも収穫作業にも資金を用意しなければならない。論説は、高利の借金が収穫代金を食い込み、次の作付けに回す金を奪うと論じる。小麦の価格が一律でも、鉄道まで遠い農家は輸送費を余計に負担する。こうして播種面積が縮むと、一つの家計の問題が、その後の食料供給にもつながる。政府に求めるのは、天候のせいにするだけでは済まない、この循環への対処である。

救援を復興へつなぐ必要があった

1926年8月31日の地震はファイアルを襲い、オルタでは中等学校を含む建物が損傷した。それから2週間後、この文章は早くも世間の関心が薄れることを懸念している。焦点は当座の寄付から、次の揺れに耐える住まいを造るための工事と資金へ移る。祭典や一時的な救援証紙の提案は、最初の報道に心を動かされた人々よりも広く支援を集める方法であり、地元の強い意志を求める言葉は、再建を組織して進める課題に向けられている。

道路の陳情が国への要求になる

ミランダの人々はすでに民間で募金を始めていたが、新聞は道路の確保を公の責務として扱っている。既存の番号付き道路への接続か、補修費の補助かという二つの要望は、どちらも国内の他地域へ確実に往来できることを目指す。納税を根拠にするのは、国と住民の関係を相互的なものとして問うためだ。国への義務を果たす住民は、孤立を解消する費用を自分たちだけで負うのではなく、利用できる交通基盤を受け取るべきだという主張である。

原文

Panem nostrum — o crédito agrícola

O ano agricola é mau—toda a gente o sabe. O azeite, o pão, o vinho, o feijão e a batata avolumaram o seu deficit, se nos referirmos ás colheitas do ano passado. Não é o governo o culpado, visto não ser êle quem regula a parte fatal, meteorologica, da produção.
A sua missão é outra—atenuar a carestia da vida, combatendo os vampiros e abastecendo, a tempo e horas, os mercados.
[...]
O credito agricola é, por emquanto, uma coisa precaria, demorada, complicada. O governo vive na ilusão de que o Alemtejo se reduz a meia duzia de grandes lavradores, que aqui em Lisboa fazem discursos e se dão uma importancia de... catastrofes eleitorais.
O Alemtejo compõe-se, sobretudo, duma população mais modesta e menos faladora—gente que faz as sementeiras com o dinheiro das colheitas e faz as colheitas, muitas vezes, com o dinheiro dos agiotas. Estes devoram a economia da nossa mal fadada provincia. Que garras!
O preço estabelecido para o trigo é o mesmo, quer o lavrador viva a muitos quilometros do caminho de ferro quer lhe seja visinho. Os transportes concorrem para a ruina dos campos.
As sementeiras reduzem-se de ano para ano.

A catastrofe do Faial — reconstrução e assistência

A catastrofe do Faial passa á categoria das coisas velhas, quasi extintas.
A emoção causada pelas primeiras noticias vai-se acalmando, pois raros se lembram do que seja a miseria de tanta gente sem lar e de tanto lar sem segurança.
[...]
As palavras de simpatia valem muito, mas as obras de solidariedade e assistencia valem muito mais. A cidade da Horta e as aldeias destruídas não podem ficar em perpetuo luto. Impõe-se o problema da sua reconstrução, em condições de resistirem a novos abalos.
Esta dificuldade demanda um plano de obras e dinheiro para o custear.
Os portugueses de todo o mundo—Portugal continental e insular, colonias com ou sem bandeira—não podem eximir-se ao dever de contribuirem para tão benemerito como patriotico dever. Exige-se tambem que, na cidade da Horta, haja uma vontade bem firme e bem acima de paixões, que se imponha a tantos indecisos e a tantas vitimas da inercia administrativa.
Bandos-precatorios, subscrições, envios expontaneos de donativos não têm faltado, é certo.
Porque não se faz uma grande tourada e um grande festival desportivo? Será de mais, porventura, que, durante três dias, se decrete uma estampilha de assistencia aos sinistrados do Faial?

A estrada de Miranda do Douro a Mogadouro

Referimo-nos ha tempos á subscripção que foi aberta entre transmontanos, para reparar a velha estrada romana que liga Miranda do Douro com Mogadouro, uma vez que os poderes publicos votaram ao abandono as comunicações entre aquela cidade e o resto do país.
Sabemos que os mirandeses representaram junto do sr. ministro do Comercio, pedindo que mande ligar a estrada n.º 9 ou que lhes conceda um subsidio para terminar a reparação da estrada romana.
Nada mais justo, tratando-se de uma região que paga pontualmente os seus impostos, sem receber do Estado o mais pequeno beneficio.

紙面の出典:Source: Internet Archive / Fundação Mário Soares

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