Diário de Lisboa
- 二人の人物
- オッタとリスボンへの給水
- ジャガイモの値上がり
ディアリオ・デ・リスボアは、宣教改革計画の協力者として来訪した二人の植民地聖職者を称賛した。短い欄では、オッタの水をめぐる要求に対して自紙が使った非難を釈明し、ジャガイモの高騰をアゾレスの食べ物と移民の郷愁の話へつなげていた。
宣教関係者紹介の冒頭と歓迎会に関する段落、オッタについての釈明全文、ジャガイモとイニャメの欄を掲載。長い経歴紹介の中間部と、左段の中国論は転記していない。
翻訳
二人の人物
ナショナル海運会社のニャッサ号が、アフリカから二人の偉大な国民的人物を迎えた。二人とも卓越した聖職者であり、評判の謙虚さをもってしても、その道徳的・知的な力量を隠すことはできない。
モザンビークの高位聖職者でアウグスタ名義司教のラファエル・ダ・アスンサォンと、約12年にわたり司教の職務を担ってきた、アンゴラ・コンゴ教区の司教座参事会代理、マヌエル・アルヴェス・ダ・クーニャ博士である。
ジョアン・ベロ司令官が二人に本国への来訪を求めた。海外の宗教宣教の問題を解決しようというのだ。南半球で経歴を重ねた経験豊富な植民地行政官である現植民地相は、こうした協力者を得て、実りある愛国的な仕事を成し遂げられるし、そうすべきである。
[…]
すでに述べたとおり、この協議の目的はポルトガルの宣教活動の改革計画にある。数時間前の到着埠頭には、アフリカにゆかりの深い人々が何十人も集まった。この偉大な植民地の人物たち、国の事業を飾り、誇らしくも私たちの敬意に値する人々を身近に知る友人や敬愛者が、立派な聖職者を迎え、感謝を示したのである。この歓迎は同時に、ジョアン・ベロ司令官の意向への支持を雄弁に物語るものでもあった。
オッタとリスボンへの給水
ベルモンテのヴァスコ・ダ・カマラ氏の署名で、抗議の電報を受け取った。『ディアリオ・デ・リスボア』や他紙が、オッタの住民はリスボン市民を渇死させようとしている、と報じたことへの抗議である。
問題となっているのは、夏のリスボンへの供給量を増やすため、オッタ川から取水する計画だ。すでに私たちが述べたように――そして住民側に理があると思うのだが――オッタの人々は、会社が地元に共同水場を造ると約束した場合に限り、取水に同意するつもりである。
住民がリスボン市民を渇死させようとしていると書いたのは、言葉のあやだった。明るい川辺の町の人々の平和な心根を、いささかも傷つけるつもりはなかったのである。
ジャガイモの値上がり
ジャガイモの値上がりは、便乗哲学の珍妙な発露を引き起こしている。経済について途方もない思索にふけるある人物が、昨日こんなことを思いついた。
「ジャガイモの代わりにイニャメを輸入してはどうだろう?」
この問いに答えられる人はいるだろうか。
アゾレスには見事なイニャメ畑がたくさんあり、一本一本が雨傘ほどもある葉を誇らしげに広げている。
私たちの舌には、イニャメはとても食べられたものではない。腐った味がする。
ポンタ・デルガダから米国へ輸出され、そこでは移住した同胞たちが故郷への愛ゆえに食べている。イニャメを口にしながら、遠くの我が家を思い出すのだ。
郷愁と愛国心のための苦行である。
解説
植民地政策としての宣教活動
大臣がモザンビークとアンゴラの高位聖職者を招いて改革を協議することは、宣教組織を植民地統治の課題として扱う動きだった。この行政との結びつきは、宣教の組織法にも現れる。1927年の公式法令は、アフリカとティモールのポルトガル・カトリック宣教組織法を改正している。記事の熱烈な歓迎は、教会の活動と国の植民地事業を、一つの共同事業として示そうとする文脈に置かれる。
首都の水と、取水地の住民の要求
リスボンは夏の水を増やすため、より小さな地域を流れる川からの取水を求めた。オッタ側の条件である共同水場は、水を送り出す地元にも改善をもたらすよう求めるものだ。争点は首都に水が必要かどうかだけでなく、給水事業の利益を誰が受けるかにある。新聞の釈明は、先の劇的な非難を改め、住民にも交渉上の正当な利益があることを認めている。
代用食と郷愁の食べ物
ジャガイモ高騰の小文は、経済的には代用品でも、食べ慣れたものとは違うという隔たりを笑いにしている。筆者はイニャメをまずいと感じる一方、移民にとっては同じ食べ物が故郷とのつながりになると描く。安い、あるいは手に入りやすい作物が、そのまま好みの代用品になるわけではない。逆に、ありふれた食べ物が記憶によって特別な価値を持つ。その対比が文章のユーモアを生んでいる。
原文
Duas figuras
O Nyassa, da Companhia Nacional de Navegação, acaba de trazer-nos de Africa duas grandes figuras nacionais, dois grandes sacerdotes, cujo valor moral e intelectual a sua proverbial modestia não consegue ocultar.
Trata-se do Prelado de Moçambique, bispo titular de Augusta, D. Rafael da Assunção e do Vigario capitular da Diocese de Angola e Congo, ha cerca de doze anos exercendo as funções de Bispo, dr. Manuel Alves da Cunha.
O comandante sr. João Belo solicitou-lhes a sua presença na metropole. Vai, ao que pretende, resolver o problema das missões religiosas no Ultramar. Colonial experimentado, de carreira feita no hemisferio sul, o atual ministro das Colonias, com tais colaboradores pode, e deve, fazer obra proficua e patriotica.
[...]
Como dissemos, o proposito da conferencia é o plano reformador das missões portuguesas. A manifestação que teve lugar ha poucas horas no cais de desembarque, onde afluiram muitas dezenas de africanistas—amigos e admiradores, de perto, destas grandes figuras coloniais, destes ornamentos da obra nacional que orgulhosamente merecem a nossa consideração—a prestar o seu apreço e acolhimento aos ilustres sacerdotes, foi, tambem uma eloquente demonstração de apoio ás intenções do comandante sr. João Belo.
Otta e o abastecimento de água a Lisboa
Assinado pelo sr. D. Vasco da Camara (Belmonte) recebemos um telegrama de protesto contra a noticia publicada pelo Diario de Lisboa e por outros jornais, de que os habitantes de Otta pretendiam matar á sede a população de Lisboa.
Trata-se da captação das aguas do rio Otta, que se pretende fazer para aumentar durante o verão o caudal que alimenta Lisboa. A população de Otta, conforme nós dissemos—e supomos que tem razão—só consentirá que as aguas sejam captadas, se a Companhia se comprometer a construir-lhe um chafariz.
Quando afirmámos que ela pretendia matar á sede a população de Lisboa, usamos duma fôrça de expressão, que de modo algum pretendia atingir os sentimentos pacificos da risonha povoação ribeirinha.
O encarecimento das batatas
O encarecimento das batatas tem provocado singulares manifestações de filosofia oportunista. Um individuo, dado a cogitações economico-enormes, lembrou-se ontem disto:
“Porque não importamos inhames, como sucedaneo da batata?”
Quem poderá responder a esta pergunta?
Nos Açores, ha muitos inhamaïs vistosos, pois cada qual ostenta uma folha do tamanho dum chapeu de chuva.
Para os nossos paladares, os inhames são intragaveis: sabem a podre.
De Ponta Delgada, exportam-nos para os Estados Unidos, onde os nossos concidadãos emigrados os comem por amor á terra natal. Com o inhame na bôca, recordam o lar distante.
É a penitencia pela saudade e pelo patriotismo.