Diário de Lisboa
- 海外
- 動物保護協会
- ビアッジ中庭住宅の給水柱
海運社説は移民保護と海外定期航路を訴えた。街のコラムでは動物虐待と、配管されず使えない給水設備を批判した。
一面から画像照合した範囲の抜粋。部分読解であり、一面や各記事の全文ではない。
翻訳
海外
本紙は、ポルトガルが国として一体となり、大西洋の民としての自らの役割を正しく理解するためには、商船隊を持つことが不可欠だと訴えてきた。
〔中略〕
移民に対しては、われわれが負う保護の義務を、急いで実行に移さなければならない。出発から航海、上陸、就職、異国の地での援助と教育まで、寄り添う必要がある。
外国船が、快適さも衛生も節度もなく彼らを運ぶ様子は、はらわたが煮えくり返り、激しいののしりを抑えられなくなるほどだ。
人間の肉体と困窮につけこむこうした搾取者を、わが国の港から追い出すために、われわれの商船隊を発展させてはどうなのか。
〔中略〕
わが国の植民地、ヨーロッパ、ブラジル、米国へ向かう定期航路は、どうしても必要である。そうしなければ、外の世界を知りながら牢獄の鉄格子越しにしか眺められない囚人と同じ苦しみを、自らに課すことになる。
動物保護協会
昨日の『ア・インフォルマサン』に、動物保護協会が活動を立て直すという記事が載った。その約束が言葉だけで終わらないことを、われわれは切に願う。
街頭の残虐さ、動物へのむごい仕打ちは、リスボンからなくさなければならない。
荷車を引く馬の傷だらけの背を、これほど頻繁にむちで打つことを、文明的な都市のどこが許すだろうか。
これほど多くの飢えた野良犬がいるのは、どう説明できるのか。
首都の暗く、自由奔放な暮らしの人々が集まる地区に群れる1万匹の猫は、いったいどこで増えたのか。
ビアッジ中庭住宅の給水柱
今年4月、アモレイラスのビアッジ中庭住宅へ、住民に水を供給するための給水柱が運び込まれた。
住民は大喜びした。遠くまでくみに行ったり、高い料金を払ったりせず、戸口のそばで水を得られるありがたい時が、近づいたと思ったのだ。
だが、その希望は間もなくしぼんだ。配管を誰も手配しなかったため、給水柱はバルボーザ小路の隅で、もう何か月も眠っている。
われわれは責任ある方々に、この怠慢を終わらせ、見捨てられたと嘆くビアッジ中庭住宅の気の毒な住民を助けるよう求める。
解説
移民保護の手段としての商船隊
海運論は、海上での国の自立と、ポルトガルを離れる人々の待遇を結びつけている。保護の範囲は広く、航海中だけでなく、到着後の就職、援助、教育にまで及ぶ。構想される商船隊は、単なる商業上の資産ではない。移民への責任を国のつながりの中に保ち、同時に植民地への航路も維持する手段として位置づけられている。
働く動物と街の日常
動物保護の訴えは、むち打たれる荷馬、飢えて歩く犬、地区に群れる猫という、街頭の三つの光景を取り上げる。馬は都市の運搬を担う働き手であり、野良犬や猫は世話や管理の別の問題を表している。「文明的な都市」が許すのかと問うことで、動物の扱いをリスボンの公共生活の尺度とし、再出発する協会に実際の行動を求めている。
給水柱だけでは水は届かない
リスボンの公共給水所は、より広い給水網から水を分配する場所だった。ビアッジの住民の訴えは、設備を置くことと、サービスを届けることが同じではない理由を示している。配管がつながらなければ、水は依然として遠くから運ぶか、高く買うしかない。戸口で改善の約束が目に見える形になっても、接続が行われないため、距離と費用の負担は各家庭に残り続けたのである。
原文
Ultramar
Este jornal tem advogado a necessidade de termos uma marinha mercante, como condição indispensavel para que Portugal adquira a unidade do seu ser e tenha a justa percepção do seu papel de povo atlantico.
[…]
Em relação ao emigrante, urge efectivar a protecção que lhe devemos, acompanhando-o na sua saída, na viagem, no desembarque, na colocação, na assistencia e na instrução em solo estranho.
O modo como os barcos estrangeiros o transportam, sem conforto nem higiene nem pudor, é de revolver as entranhas e desemperrar a lingua em terriveis pragas.
Porque não ha de a nossa marinha mercante desenvolver-se, correndo dos nossos portos esses exploradores da carne e da miseria humana?
[…]
E' absolutamente necessario que tenhamos carreiras para as nossas colonias, Europa, Brasil e Estados Unidos, aliás condenamo-nos ao suplicio dos captivos que sabem do mundo, mas não o podem avistar, senão atravez das grades da sua prisão.
Sociedade Protectora dos Animais
Em A Informação de ontem vem a noticia de que a Sociedade Protectora dos Animais vai remoçar-se. Que a promessa não fique só em palavras — eis o que muito desejamos.
A brutalidade das ruas, o selvagismo contra os bichos têm que desaparecer de Lisboa.
Em que cidade civilisada se consentiria um tão frequente abuso do chicote, no dorso chagoso dos cavalos de tracção?
Como se explica a existencia de tanto cão faminto e vadio?
Onde se criaram os dez mil gatos que enxameiam nos bairros lobregos e bohemios da capital?
Um marco fontenario no pateo do Biaggi
Em abril deste ano, foi transportado para o pateo do Biaggi, ás Amoreiras, um marco fontenario, destinado a abastecer os seus moradores.
Estes ficaram contentissimos, porque viam aproximar-se a hora bemdita de terem agua ao pé da porta, sem necessidade de a irem buscar longe ou de a pagarem caro.
As suas esperanças, porém, breve murcharam... O marco fontenario repousa ha uns poucos de meses a um canto do Beco do Barbosa, pois do encanamento ninguem cuidou.
Dirigimo-nos a quem de direito, a fim de que ponha termo a tal incuria, valendo aos tristes moradores do pateo do Biaggi, que lamentam o abandono a que foram votados.